Muitos jardineiros amadores estão a dizer adeus às tulipas clássicas - uma flor antiga, com flores em pompom bem cheias, está a surpreender nesta primavera.
Quando se pensa em canteiros na primavera, a ideia vai quase sempre parar às tulipas. Só que a floração curta e os preços cada vez mais altos estão a levar muita gente a repensar escolhas. No lugar delas, está a regressar uma planta de bolbo quase esquecida: floresce durante mais tempo, dá um efeito mais denso e, de repente, aparece por todo o lado em jardins tendência, de Paris a Berlim.
Porque é que as tulipas estão a perder fãs - e outra flor está a ocupar o centro do palco
As tulipas abrem a estação com impacto, mas muitas vezes, ao fim de uma ou duas semanas, já passaram. Basta uma chuvada mais forte ou um dia de calor precoce para as pétalas ficarem espalhadas pelo canteiro. Muitas variedades esgotam-se depressa, os bolbos têm de ser substituídos com regularidade e isso pesa na carteira - e desanima.
A “rival” chama-se ranúnculo, mais precisamente ranúnculo asiático (Ranunculus asiaticus), vendido muitas vezes como ranúnculo de jardim. As suas flores duplas e muito compactas lembram pequenas peónias, parecem pompons coloridos e mantêm-se bonitas por bem mais tempo no canteiro.
"Quem já está farto de tulipas vistosas, mas de vida curta, encontra nos ranúnculos asiáticos uma alternativa de primavera surpreendentemente duradoura."
Do branco ao creme, do alperce ao rosa, e de tons intensos como o vermelho ou o violeta, a paleta é enorme. Em grupo, cria-se aquele efeito de “lobby de hotel de luxo” que tantas pessoas reconhecem dos jardins do Instagram - só que no próprio canteiro ou até numa floreira de varanda.
O que torna o ranúnculo asiático tão apelativo
Quem faz a mudança aponta quase sempre os mesmos motivos. Eis as principais vantagens:
- Floração mais longa: regra geral, do fim de maio até junho, muitas vezes durante mais tempo do que grande parte das tulipas.
- Flores cheias e densas: visualmente próximas das peónias, mas mais compactas e perfeitas para jardins pequenos ou vasos.
- Grande impacto de cor: plantado em conjunto, o resultado é elegante e com um toque romântico.
- Bom para jardins mais naturais: cultivado com composto, não precisa de adubos sintéticos.
- Muito versátil: funciona em canteiros de herbáceas, canteiros elevados, vasos ou até numa pequena floreira de varanda.
Muitos vendedores referem que as típicas “garras” - o aspeto enrugado dos tubérculos - esgotam na primavera mais depressa do que antigamente acontecia com os bolbos de tulipa. E quem vê a diferença no canteiro, por norma, mantém-se fiel ao ranúnculo.
Como plantar de março a meados de abril
Aqui, o que determina o sucesso é o timing. Em zonas de clima ameno, a maioria começa entre março e meados de abril. A terra já não deve estar gelada, mas ainda precisa de reter humidade suficiente.
Guia passo a passo para iniciantes
À primeira vista, os tubérculos parecem mini polvos ressequidos. Com alguns passos simples, é fácil “acordá-los”:
- Deixar os tubérculos (“garras”) cerca de 12 horas em água morna.
- Preparar a terra, soltando-a bem, e retirar pedras e restos de raízes antigas.
- Abrir covas com cerca de 5 centímetros de profundidade.
- Colocar os tubérculos com os “dedos” virados para baixo.
- Tapar com terra e pressionar ligeiramente.
- Respeitar um espaçamento de cerca de 15 centímetros entre plantas.
O ranúnculo prefere um solo drenante e relativamente leve. Se a terra for argilosa e pesada, vale a pena misturar areia ou gravilha fina e bastante composto bem curtido. O grande inimigo é o encharcamento - sobretudo em vasos, onde os tubérculos podem apodrecer em pouco tempo.
Local: sol sim, mas sem excesso
A planta desenvolve-se melhor num local luminoso, de sol a meia-sombra. Sol forte ao meio-dia numa varanda virada a sul, com vasos a aquecerem muito (especialmente os pretos), pode ser problemático.
Para varandas e terraços, é recomendável criar uma camada de drenagem no fundo do vaso com argila expandida ou seixo. Assim, o excesso de água escoa e as raízes mantêm-se saudáveis.
Cuidados para um canteiro de primavera exuberante
As necessidades de água ficam algures entre as de uma tulipa e as de um gerânio. O substrato não deve passar semanas completamente seco, mas ficar constantemente encharcado também prejudica.
No dia a dia, uma regra simples ajuda: se a camada superior da terra estiver seca ao toque, é hora de regar. Se ainda estiver ligeiramente húmida, pode esperar.
Uma cobertura fina com aparas de relva (murchas, não acabadas de cortar) ou casca triturada fina reduz a evaporação e protege a vida do solo. Em ambiente urbano, onde as floreiras apanham sol direto e vento, nota-se bem a diferença.
"Regas regulares, mas moderadas, e uma película fina de mulch costumam ser suficientes para manter as plantas vigorosas durante a estação."
Ranúnculos como flor de corte - um efeito bonito dentro de casa
Há um extra que as tulipas não oferecem com a mesma generosidade: o ranúnculo asiático é excelente para flor de corte. Se cortar os caules quando as flores começam a abrir, consegue ramos densos e com uma durabilidade surpreendente na jarra.
Ao mesmo tempo, o corte estimula a planta a produzir novos botões. Muitos jardineiros falam mesmo num “efeito de reposição” que se prolonga até ao início do verão.
Deixar no inverno ou voltar a plantar - como fazem os jardineiros
A possibilidade de manter os tubérculos no solo depende muito da zona. Em regiões suaves e com invernos mais secos, muitos deixam os ranúnculos no canteiro. A parte aérea seca, os tubérculos entram em repouso e voltam a rebentar no ano seguinte - desde que o solo continue bem drenado.
Em áreas mais frias, sobretudo onde períodos longos de geada coincidem com terra húmida, é comum optar por uma abordagem mais cuidadosa:
- Depois de a folhagem amarelecer, desenterrar os tubérculos com cuidado.
- Sacudir a terra e deixá-los secar num local arejado e à sombra.
- Guardar em local fresco, numa caixa com areia seca ou serradura.
- Plantar novamente na primavera seguinte.
O trabalho é relativamente simples e lembra o tratamento dado aos tubérculos de dálias. Quem tem pouco espaço para armazenamento acaba muitas vezes por comprar novos - e os tubérculos de ranúnculo costumam ser mais baratos do que bolbos de tulipa de qualidade.
Dicas para combinações harmoniosas no canteiro
Visualmente, o ranúnculo asiático ganha mais força quando não está sozinho e se junta a outros floríferos de primavera. Entre as combinações mais populares estão:
- miosótis como “tapete” azul por baixo dos pompons coloridos
- hostas ou gramíneas ornamentais para silhuetas verdes suaves
- amores-perfeitos em tons pastel a condizer, ideais para floreiras
- buxos em forma de bola ou sebes baixas aparadas como contraste de linhas rígidas
Para quem prefere um jardim romântico, resulta muito bem com plantas de flor branca e delicada, como gipsófila ou pequenas margaridas. Em jardins modernos e mais minimalistas, funcionam composições com folhagem escura, por exemplo salva roxa ou variedades de heuchera de folhas quase negras.
O que os iniciantes devem saber - riscos e oportunidades
Há um aspeto que ainda afasta algumas pessoas: os tubérculos são vistos como um pouco mais sensíveis do que narcisos mais rústicos. Ainda assim, evitando terra encharcada e calor excessivo, as probabilidades de sucesso são boas.
Quem tem crianças pequenas ou animais de estimação deve ter em conta que os ranúnculos, como muitas plantas da família dos ranunculáceos, são ligeiramente tóxicos. Raramente são roídos, mas, por precaução, convém posicionar os vasos de forma a impedir que os animais mordisquem de forma repetida.
Para quem gosta de brincar com cores e já não quer o “fogo de artifício” curto das tulipas, vale a experiência. Bastam uma ou duas floreiras ou uma pequena faixa no canteiro para perceber a diferença. E quando, em junho, ainda houver pompons cheios e densos no jardim, enquanto as tulipas já desapareceram há muito, a mudança dificilmente vai parecer má ideia.
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